Sobre a Auto-estima





Existe um vazio que só pode ser preenchido por Deus.

Nada do que se possa adquirir tem o poder de nos satisfazer plenamente. O nosso corpo, a nossa personalidade e individualidade são patrimónios dos quais devemos cuidar.

Como?

Aceitando-nos exactamente como somos e descobrindo aonde queremos ir, isto é, qual o sentido da nossa vida.

O sentido de vida é algo extremamente importante a ser descoberto por nós. No entanto está longe de ser aquilo que nos é incutido pela sociedade através dos media ou pelos nossos pais e educadores. Esta é uma tarefa da nossa responsabilidade.

Todos procuramos na vida, por vezes inconscientemente, preencher esse vazio com diversões, filmes, desporto, cursos, espiritualidade, tabaco, comida, bebida, sexo, conversas de café, livros, cursos, espiritualidade, meditação, (! Espantem-se sim!) e por aí fora… nenhuma destas coisas, afirmo ser prejudicial em si mesma - mas tudo o que é feito em excesso deve ser observado. É usualmente uma fuga a nós mesmos.


Como detectar isso? Como sei que é uma fuga?

Quando não consigo estar só comigo mesmo e ouvir o meu diálogo interior.

O que acontece quando ouço o que vai dentro de mim?

Tenho de lidar com as minhas vozes interiores, as quais vou passar a chamar de sub-personalidades. Estas são muitas vezes contraditórias entre si. Incoerentes, criticam-nos, culpam-nos, dão-nos ideias que imaginamos ou sabemos serão mal aceites, condenam-nos deixando-nos por vezes paralisados. Sou isto, sou aquilo, não devia fazer isto mas faço, parece que não tenho controlo sobre mim, vou enlouquecer, não quero ouvir. Fujo, vou sair, vou fazer alguma coisa que cale estas vozes e então queixo-me a alguém, critico outros que ousam fazer o que me apavora, o que não me permito, invejo-os e nego-os, comparo-me com eles e desejo algo exterior a mim, que não sou, que não tenho … e isto não só é considerado socialmente normal, como é estimulado por ela. Compara-te com os outros e deseja ser igual ou melhor que eles! Que grande falácia. Que nos deixa a todos esquizofrénicos, stressados e perpetuamente angustiados.


Atribuímos a isso uma categoria e queixamo-nos: sou ansioso, nervoso, deprimido, triste, não gosto de mim, não sou capaz, sou feio, sou burro, sou demasiado isto ou aquilo, não vale a pena, não mereço, sou doente, não sou bom o suficiente… sou estúpido, sou uma besta, um animal, sou esquecido, sou despistado, sou pobre, sou um bicho, um lobo solitáiro, continua…

A lista de nomes feios e aparentemente inócuos com que até gracejamos a nosso respeito é infindável.


Focados no vir a ser, num futuro em que seremos felizes quando tivermos atingido isto ou aquilo, quando mudarmos isto ou aquilo - perdemos o único momento que importa viver, o aqui e agora, onde a nossa atenção e atitude pode trazer aquilo que verdadeiramente almejamos e nem sabemos.


Quando paro para me ouvir, fujo de mim, da minha dor interna. E, por vezes só depois de uma experiência traumática causadora de uma dor imposta pelo exterior, somos obrigados a ouvir-nos. Dor física, emocional, mental são os sinais indicadores de que precisamos corrigir algo nas nossas vidas. Algo que já não suportamos e já não nos serve. Esse algo é o nosso comportamento/atitude, mas é difícil reconhecer isso. Na maior parte dos casos troca-se de casa, de visual, de namorada, de carro, etc. e durante algum tempo achamos que está tudo bem. Até que nova dor se instale provocada por circunstâncias externas.


O que está mal afinal?

A auto-estima é um conceito moderno oriundo da psicologia mas que é em si mesmo paradoxal e, no meu entender, vazio. Pois se por um lado os psicólogos nos incitam a gostarmos de nós, por outro categorizam-nos como narcisistas, egocêntricos e egoístas. Onde ficamos afinal? Onde está o equilíbrio e a harmonia na auto-estima?

Há 2020 anos atrás o profeta Jesus veio revolucionar o Antigo Testamento. Dos 10 mandamentos, afirmou Ele, bastaria cumprir um único para que todos os outros ficassem implicitamente cumpridos. Esse mandamento é:

AMA O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO.

Ora imaginem a importância desta orientação, deste imperativo de vida!!!

Como é que o ser humano se afasta tanto disto? Parece ser tão simples, tão fácil, não é?

Inexoravelmente precisamos de ir às nossas raízes, à nossa infância pois aí começa o desamor dentro de nós.*

Observemos uma criança até cerca de um ano e meio ou até aos 3 anos. Totalmente desprotegida, plena de inocência, curiosidade, entusiasmo, confiante, segura, alegre, pronta a entregar o seu amor aos que dela cuidam e são para ela, o mundo - sua mãe e seu pai.

Procurem recordar, tocar com a imaginação e coração um destes sentimentos de confiança, liberdade para aprender e descobrir o mundo, que um dia tivemos.

Quando surgiu a primeira dor? O primeiro fechar sobre si próprio? Esta é uma área a explorar na vossa memória que vos dará inúmeras respostas.