O Teu Corpo Não Mente de Luís Martins Simões - Sistema Imunitário


A imunidade consiste na capacidade de evolução do ser humano na harmonia, na capacidade de adaptação ao meio ambiente, mantendo a evolução.

Às vezes consiste no facto de a pessoa ter de andar no meio de algumas feras sem se transformar numa delas e continuar a seguir o seu processo de evolução em harmonia.


Quando encarnamos, vimos de um mundo de unidade para encarnar num mundo de dualidade, onde toda a matéria precisa do seu oposto para ser total, íntegra. O próprio corpo é manifestação dual de matéria.


Embora cada um deva sempre recordar que pertence ao todo, na realidade dual cada um deve saber interpretar o que lhe é nocivo e o que lhe é propício. A imunidade serve para a pessoa saber aquilo que deve recusar e aquilo que deve deixar entrar para prosseguir o seu caminho de evolução. Aquilo que devo recusar não é uma agressão, nem deve ser considerado como tal, é apenas uma energia, um modo de estar ou ser que não me convém para a minha evolução em harmonia. Não assinalar a dualidade na nossa vida é morrer. É recusar a encarnação.


As pessoas que andam aos abraços a todos não perceberam o que é a imunidade. Dão abraços a todos porque acreditam naquilo a que chamam amor incondicional. Mas amor incondicional não é gostar incondicional. Amar é aceitar, não é gostar. É verdade que a aceitação acentua a união e que a rejeição acentua a separação. Mas não gostar não quer dizer rejeitar. Esse é que é o erro de muitos. Não gostar não é criar separação. É assinalar a dualidade. É perfeitamente normal não gostar de uma coisa ou de alguém. É para isso que existe a dualidade. Para eu poder escolher com quem me quero dar. Gostar de toda a gente é não se aceitar a si próprio. Não gostar de alguém não é rejeitar. Mas não aceitar essa pessoa como ela é é que é rejeitar. É erguer um barreira.


Aceitar é baixar as defesas. É amar, mesmo que não goste do outro.

Aceitar é reconhecer que, na origem, somos todos um. A rejeição consolida o ego separado. A aceitação consolida o todo. Por isso o ser humano dos nossos dias tem mais facilidade em rejeitar do que em aceitar, pois o seu propósito é alimentar o ego. E o ego precisa sentir as suas fronteiras. E cada vez que o ego rejeita alguém, consegue sentir as suas fronteiras. Os humanos confundem a emoção de gostar com o sentimento de aceitar e amar.


Amor incondicional não quer só dizer aceitar os outros incondicionalmente, mas também aceitar-me a mim próprio incondicionalmente. Isto implica não dar um abraço ou nem sequer querer aproximar-me de uma pessoa de quem não gosto. O facto de a aceitar não implica ter de lhe dar um abraço. É que, de facto, há pessoas neste mundo que não fazem parte da minha evolução. Fazem talvez parte da evolução do vizinho. Quando as pessoas de quem não gostamos se cruzam connosco, fazem-no para que nós possamos dizer-lhe Não normalmente, com amor e suavidade. Tornar-se imune é não se deixar influenciar pelo que não é bom para nós. Não é matar tudo o que está à nossa volta que possa ser susceptível de nos atacar. Esta vida não é uma luta. é uma entrega com discernimento. As pessoas com sintomas auto-imunes, ou com alergias, ou com intolerâncias, são pessoas que se sentem agredidas, na maior parte dos casos, por coisas inofensivas. O papel do sistema imunitário não é o de levar a cabo uma guerra sem tréguas. Essa ideia não faz sentido.




Os alérgicos, por exemplo, são pessoas que se defendem de muitas coisas que são quase todas inofensivas. O alérgico está continuamente a aumentar a noção de inimigo potencial e constrói uma enorme armadura defensiva. O alérgico é uma pessoa com um comportamento agressivo, mas que não tem consciência de o ter. Ou seja, uma pessoa dócil, mas de agressividade reprimida, é tão propensa a alergias como uma pessoa agressiva.


Texto do livro O Teu Corpo Não Mente de Luís Martins Simões

https://luismartinssimoes.com/


Veja também o novo livro do autor: