Haiku de Matsuo Bashô, Yosa Buson, Masaoka Shiki e Kobayashi Issa




Yosa Buson
landscape with a solitary traveler

Matsuo Bashô

(Tóquio, 1644 – Osaka, 28 de Outubro de 1694)



O deus está longe;

empilham-se as folhas mortas

e tudo é deserto.

Começo de outono;

quer o mar, quer as campinas,

tudo é um só verde.

Entrega ao salgueiro

o tédio e todo o desejo

do teu coração.

Entre os pessegueiros,

florindo por todo o lado,

agora a cerejeira.

Esvai-se o som da noite;

sobre o perfume das flores —

um sino tocou.

Tudo o que me cerca

e encontra o meu olhar

é fresco e é novo.

No meio da planície

uma cotovia canta,

liberta de tudo.

Lua cheia, outono —

caminhei a noite inteira

ao redor do lago.

Sou só o que toma

o pequeno-almoço olhando —

esplendor da manhã.

Primeira manhã

de primavera; sinto-me